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Setembro Amarelo – Conhecendo mais sobre o suicídio | Artigo da Psicóloga Tatiane Hamada

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O setembro amarelo nos convoca a reflexão sobre um tema tão importante e recorrente em dias atuais: o suicídio. Por essa razão, a Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e a Organização Mundial da Saúde instituíram a data de 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, com o objetivo de informar e dar visibilidade ao assunto. O tema escolhido para a campanha deste ano é “Agir salva vidas”.

Podemos encarar o suicídio como um fenômeno complexo e multidimensional, incluindo fatores biológicos, psicológicos, sociológicos e culturais. Ou seja, essa decisão em acabar com a própria vida nunca é determinada por apenas um evento isolado, mas uma somatória de elementos negativos que ocorrem na vida do indivíduo, levando-o a crença de que a morte servirá de alívio definitivo para o sofrimento.

A literatura nos mostra que mais de 90% dos casos estão relacionados aos transtornos mentais, no qual podemos destacar a depressão, o transtorno bipolar e o uso abusivo de substâncias. Segundo informações coletadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 15% dos pacientes com quadro depressivo grave cometem suicídio.

Quais sinais e sintomas podem chamar nossa atenção?

Podemos observar os comportamentos e os sentimentos expressos pelo indivíduo, verificando se há presença de humor deprimido, desesperança, culpa, desvalia (pessoa não sente que tem valor próprio), atitudes autodestrutivas (machucar-se ao roer as unhas, arrancar fios de cabelo, cortar-se), irritabilidade, agressividade, alteração intensa no padrão alimentar e no peso; isolamento social e relutância a interação social, dificuldade para dormir e ter um sono de qualidade, diminuição brusca da energia e da concentração.

Além disso, devemos verificar o discurso da pessoa em questão, no qual o conteúdo é predominantemente negativo e pessimista, falas incessantes sobre a morte, dificuldade em verbalizar sobre metas e sonhos futuros e, ao invés disso, mencionar planejamento e ideação suicida.

Também é necessário ressaltar que algumas das características mencionadas podem estar atreladas, inclusive, ao contexto pandêmico da covid-19. Com isso, percebemos que essa situação acarretou o distanciamento social entre as pessoas, o medo intenso, a sensação de solidão e a perda de entes queridos, constituindo fatores de risco para o aumento das taxas de suicídio.

O que podemos fazer para ajudar uma pessoa em sofrimento?

Lidar com essa temática da morte não é uma tarefa simples, uma vez que esbarra nos nossos próprios sentimentos e em nossa história de vida. Por isso, se for possível, adote uma postura disponível para conversar sobre o assunto e, sobretudo, ouça o que a pessoa tem a dizer; um comportamento que deve ser evitado é a minimização do sofrimento da pessoa, o mais adequado é o acolhimento sem juízo de valor.

O tratamento deve ser multiprofissional, abrangendo médicos, psicólogos e demais profissionais da área. Por isso, procure por um serviço de saúde, como: Unidade Básica de Saúde (UBS) do seu bairro, Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), Centro de Atenção Psicossocial (CAPS); a equipe de saúde irá avaliar o caso e realizar os encaminhamentos pertinentes. Além disso, também podemos contar com o suporte do Centro de Valorização da Vida (CVV); através do site, é possível entrar em contato pelo chat, e-mail ou ligação para o número 188.

Nesse momento tão difícil que estamos vivendo, o surgimento do sofrimento emocional é natural e não precisamos nos envergonhar, nem nos esconder dessa realidade. Ao contrário, podemos conversar a respeito disso e procurar nos ajudar de forma recíproca para construir um contexto mais saudável para nós, para os outros e para o mundo.

Tatiane Hamada (CRP: 06/124366)
Graduação em Psicologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/Santos); Residência Multiprofissional em Saúde (PUC/SP), Pós-Graduações em Terapia Cognitiva Comportamental (CETCC) e Gestão Estratégica de Pessoas (Mackenzie). Atuação como psicóloga na área de Recursos Humanos da Prefeitura da Estância Turística de Itu desde 2020 e psicóloga clínica em consultório particular.

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